terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sobre a escrita e outros temas desconexos

Eu, quando era pequena não suportava ser criança. Queria muito ser adulta, só brincava de ser gente grande, me sentia alguém realmente especial quando o mundo me dizia que a minha 'mente' era espetacular demais pra minha pouca idade. Ficava com vontade de viver. Amava escrever, escrevia sobre tudo, e gostava de escrever coisas tristes sem nem se quer tem motivos pra se sentir assim ainda. É aí que começa toda a história das malditas fantasias e das pessoas. Eu sei lá porque, quando já tava um pouco maior e numa fase especialmente HORRÍVEL da vida... tive uma professora de português que me tratava como se fosse minha fã - e falo sério -,  ela simplesmente me enchia de elogios nos conselhos de classe quando eu já tinha entrado super naquela fase de não fazer mais porra nenhuma na escola, só fazia redação... aí tinha essa professora, e ela sempre escolhia os melhores textos pra serem reescritos num caderno dela, "o livro azul". Todo mundo meio que faltava se matar pra entrar pra esse livro, acho que foi a primeira vez que tive que lidar com competição, nunca entendi o que podia ter de tão bom ali pra todo mundo querer, e logo na minha primeira redação ela me escolheu (e assim foi com todas as minhas outras redações durante todos os anos que ela foi minha professora). No começo eu só achava bacana, mas o início disso foi bem quando eu fui pra escola pública -relutando- e eu me sentia um lixo, soa fútil falar assim, eu sei, faz parecer que eu sou uma babaca, mas não ligo, porque eu cresci assim, cresci sendo tratada como a melhor pessoa do mundo em todos os lugares e então eu acreditava realmente nisso, tava acostumada com todas as meninas querendo andar comigo no recreio, o anormal pra mim era o contrário e aí de repente eu tava num universo totalmente paralelo ao meu, onde as pessoas me olhavam de cara feia por eu levar dinheiro todo dia pra comprar lanche e entrar no colégio sem uniforme enquanto os outros não entravam... foi então que eu queria ser a melhor, eu não entendia porque eu tinha sido a vida toda e agora não podia mais, sabe? Aí tomei gosto, começou pelas redações, a me esforçar de verdade pra ficar bom, eu nunca achava que tava bom, mas todo mundo elogiava então tava valendo. E sobre o universo ser tão diferente assim, foi coisa de menos de um ano, na outra série todo mundo já sabia que eu era "a menina do livro azul", aí já tinha toda aquela coisa de enxergarem em mim umas 100 pessoas incríveis (e nenhuma delas ter nada a ver comigo) e eu senti falta de quando simplesmente não gostavam.  Nessa época que eu dei uma boa enlouquecida, quando você ama cor-de-rosa e tem medo de matar aula e de repente todo mundo começa a te achar maravilhosa porque você odeia rosa e não se importa com a escola, você meio que passa a se adequar ao que as pessoas acham que você é, as vezes eu me sinto muito errada por isso, mas aí eu fico escrevendo coisas depressivas e cheias de mimimi que eu odeio, no momento eu tô achando ser assim bem aceitável e então dá pra expressar isso de uma forma que eu não vou sentir nojo de ler depois: "everybody wants to rule the world" descreve. Cada vez que alguém me falava que não tinha coragem de fazer certa coisa eu queria fazer, aí eu fiquei bem louca mesmo, dei uma surtada de outro mundo e acho que entre 12 e 15 anos fiz tudo que a maioria das pessoas não fazer em uma vida inteira, e pra ser sincera eu nem me arrependo, já foi, passou, eu não sou muito de me importar com as coisas, se deu certo, ainda bem, mas se não, que se foda, as vezes fico até feliz de ser assim, outras só queria mudar, sei lá, é bem complicado falar de mim, falo o que não deve ser dito, não vou quando tenho que ir,  tenho uma lema bem  "isolation is the gift" mas NÃO sei lidar com a solidão, morro de medo de ficar sozinha e odeio sentir medo, salto pra cair - melhor doer que manter os pés no chão, ouço música demais, penso demais, bloqueio a mente e fico horas sem pensar, aí me assusto um pouco com como consigo fazer isso, bebo demais sendo que odeio o gosto do álcool, mas me jogo até as palavras saírem tortas da boca, pra dissolver, pra desaparecer, sou viciada no erro - e erro, erro, erro até o erro se confundir com acerto and it's ok then, arrisco e perco tudo, mas nem me importo mais de perder. Não arrisco e não ganho nada. E escrevo, escrevo bastante, escrevo pra Sophia, escrevo pro meu pai, pra Deus, escrevo pra mim mesma, escrevo pra me conhecerem, escrevo pra fugir, escrevo pra vomitar tudo que faz mal pra minha alma, escrevo porque sem a escrita não dá, sem a escrita não vai, que bom que posso me afundar nela, que bom.

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