sexta-feira, 5 de maio de 2017

Vontade do que não existe

Vejo muito as pessoas falarem sobre o medo do esquecimento, sobre os outros duvidarem do seu potencial e acho que eu não consigo se quer compreender, porque eu sou de fato o tipo de pessoa que não entende o que não sente, o que não vive. É por isso que não me é possível ter uma empatia tão aflorada, embora eu realmente tente. As minhas maiores aflições, por assim dizer, são linhas oscilantes entre o desejo de ser esquecida, porque sim, eu queria muito ser deixada em paz, e a vontade súbita de que parem de uma vez por todas de depositar tantas expectativas irreais sobre mim, de enxergar tantas curvas sinuosas e caminhos a serem explorados enquanto eu quero só... fechar as minhas portas. Eu queria ser invisível mas isso nada tem a ver com a metáfora de poder fazer tudo que quiser. Queria para que ninguém pudesse me ver. Para que eu pudesse ser dissolvida e escorrer, sem mais perguntas, sem mais respostas. Eu ouço constantemente as pessoas falarem que elas se sentem como se não se encaixassem em lugar nenhum. Como se não fizessem parte de nada. Esse é o problema. Eu não me sinto como se não me encaixasse... Eu me encaixo em absolutamente todos os lugares. Eu me sinto parte de tudo. Mas ainda assim, não basta.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Consequências ilimitadas

"Você não sabe o que se passa na vida de ninguém além da sua. E quando você mexe com uma parte da vida de alguém, não está mexendo só com aquela parte. Infelizmente, você não pode ser tão preciso e seletivo. Quando você mexe com uma parte da vida de alguém, você está mexendo com a vida toda dessa pessoa. Everything affects everything." 
- 13 reasons why

Ao vivo, mas não em estéreo

Nós estamos vivendo uma era em que se é fodidamente pregado que você não tem a obrigação de ser legal. Que você pode explodir e não precisa ser simpático o tempo todo. Que ninguém é obrigado a ouvir os dramas chatos dos outros. Que "bom dia só se for pra você", que simpatia demais é porta aberta para desconfiança. Que positividade é uma chatice clichê. Nós lemos essas coisas e acatamos como nossa verdade. E nós invertemos totalmente os conceitos, achando que está tudo bem, nós fazemos as coisas boas parecerem ruins e as ruins virarem piada. Nós nos transformamos todos os dias em por quês. Nós falamos sobre como o mundo é perverso e as pessoas cruéis esquecendo de enxergar a nossa própria maldade. Nós apontamos o dedo pro outro e julgamos cada passo em falso alheio mas não conseguimos manter os olhos nos erros do nosso próprio caminho. Nós somos omissos. E fazemos coisas terríveis, por estar com raiva, por não ter tido um bom dia, por não gostar de alguém, por estar com medo ou pelo stress da vida. E nós não paramos um segundo sequer pra pensar nos impactos que causamos. Nós nos isentamos da responsabilidade e até nos perguntamos eventualmente se somos boas pessoas, mas não paramos pra riscar onde estamos sendo maus. Nós fazemos coisas ruins, ou vemos coisas ruins acontecendo e não fazemos nada a respeito. Dá no mesmo. Nós rimos da fraqueza dos outros ou compactuamos em algum momento com quem ri. Nós julgamos o tempo todo, nós classificamos as pessoas entre boas e ruins, como se sempre fôssemos as boas e as outras espíritos malignos que merecem punições. Isso tudo está tão errado, esses pedestais, e as pessoas, o mundo todo, tudo, os valores, os pensamentos construídos, as nossas ações, ah, a nossa maldita zona de conforto. E sabe, eu acho mesmo, que a gente tem sim a obrigação de ser legal, porque dar um bom dia é de graça e pode melhorar o dia de alguém ainda que o nosso não esteja sendo efetivamente bom. E ouvir o que uma pessoa que precisa falar tem a dizer não vai fazer os nossos ouvidos caírem. Respirar fundo e contar até três antes de despejar a raiva que estamos sentindo nas pessoas ao redor não tem como fazer com que a gente se enraiveça mais. Ser gentil com o motorista custa menos que a passagem do ônibus. Demonstrar um pouquinho, por maior que seja a nossa dificuldade com essa coisa, não vai arrancar um pedaço da nossa casca... Mas a gente não percebe, a gente não se importa, a gente se omite e a gente mata pessoas todos os dias sem nem saber. E nós podemos mudar tantas histórias, mas não o fazemos. E aí nós nos tornamos por quês. Nós somos por quês. Eu sou um por quê. Eu sou literalmente o por quê e nada pode apagar a minha marca. Mas se eu pudesse gravar uma fita e dizer uma única coisa, eu diria: não seja um por quê.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Shine a light on me

Isso é unicamente para que eu leia daqui algum tempo e me lembre exatamente das cores que você trouxe pro meu mundo. Obrigada!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Beautiful day

Geralmente, eu ouço canções tristes e me lembro de você. Então disparo a escrever e explodir palavras enquanto faço uma molhaceira de lágrimas ao meu redor. Mas essa até que é uma atitude justificável, eu acho. Só que agora, eu ouvi uma música que me deixou feliz; Beautiful day do U2 e sabe, o timbre da voz dos caras parece muito com as rádios que você escutava na oficina, então eu mais uma vez disparei a escrever mas só pra te contar, não teve dor, nem nada do tipo. Eu escrevo sempre pra te contar as coisas, porque sinto uma falta absurda de poder contar e eu penso muito e falo muito, aí acaba saindo um desabafo meio afoito demais em todas essas tentativas, mas dessa vez é realmente bom. Dessa vez é só pra falar que a gente deveria ouvir essa música juntos enquanto você desrespeita os km permitidos pelas placas de trânsito sem a menor preocupação. Ah, e que eu nos acho muito semelhantes nesse ponto, porque eu simplesmente não consigo ligar pra nenhuma dessas coisas também... E gosto disso. É isso, é só isso, queria que você pudesse estar por perto, essa parte não muda, sempre quero. Mas queria que você soubesse que agora ta tudo bem, mesmo. Que as coisas são diferentes demais nesse momento, as minhas percepções, os sentimentos, sei lá. É tudo muito novo e é bom. Eu sei uma porção de coisas novas e penso diferente sobre uma porção de coisas velhas. E conheço muitas histórias, lugares e pessoas novas. A propósito, eu vou maratonar a sequência de filmes do Velozes e Furiosos qualquer dia desses e acho que você ficaria feliz em saber disso. Há um tempo atrás eu tinha muitos conflitos internos comigo mesma e eu escrevi algo parecido com isso pra você, no ônibus, voltando da rodoviária, numa noite onde chovia muito e eu não parava de pensar se você gostaria da pessoa que eu era naquele momento, porque eu de fato carrego essa pergunta comigo todos os dias. Mas sabe, você gostaria muito de mim hoje! Yessssssssssss. E eu escrevi pra dizer que eu sempre vou amar muito você, que eu sou grata por tudo que você me ensinou como ninguém mais faria e é só isso, é simples, sem melancolias ou conotações poéticas, eu só te carrego comigo sem limitações temporais. Eu sinto sua falta. E eu acho que você gostaria muito do meu eu de hoje. Esse achismo me faz pensar que eu não sou um caso perdido. Veja só, it's a beautiful day!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Desconstrua-se

Ás vezes, eu paro pra ler as coisas que escrevo e me pego observando como elas costumam começar com "eu sempre..." ou "eu nunca". De fato, nunca fui fã de mudanças (e começo aqui com o velho eu nunca novamente) pois tento por algum motivo incompreensível, ser firme nas minhas definições. Mas dessa vez, realmente acho que desconstruir-se tem a ver com se enxergar de uma forma muito mais ampla, entender - e aceitar - que podemos ser muito mais que nossas limitações. O eu criado pode sim se reinventar. Você não precisa ser o mesmo pelo resto da vida, e ainda bem. Os nossos prazos de sustentação tem validade e o vencimento é se permitir fazer parte de um processo de evolução constante. Eu ainda acho que as opiniões das pessoas são moldadas de acordo com a forma como elas foram criadas, o ambiente que vivem e o ciclo social do qual fazem parte, talvez, justamente por esse motivo seja tão complicado desapegar-se de ideias que foram construídas gradativamente durante a sua vida. Por muito tempo, minha concepção de desconstruir um pensamento era sinônimo de problematizar e são incontáveis as vezes que satirizei essa palavra. Mas na realidade, é o contrário. Tem muito mais a ver com simplificar. Com esquecer tudo que te disseram e apagar as regras impostas pelo desconhecido, olhar pra aquilo de olhos abertos e enxergar sem interferências externas. Logo eu que tanto repugno os maniqueísmos, me vi escondida em um universo extremo onde há sempre apenas duas opções. É ou não é. Mas quantas possibilidades você perde entre o 8 e 80, quanto insiste em se reduzir? Pra quantos problemas universais que existem e estão ali o tempo todo, você fecha os olhos em nome do seu eu individual? Quantos são os assuntos que só conhecemos superficialmente e ainda assim nos fechamos por pura ignorância? Há tanta coisa no mundo acontecendo, há tanta coisa pra ser vista, sentida, entendida. E eu espero sinceramente que a gente possa substituir os nossos "porque não." por "por que não?" Que sejamos mais complacentes com a dor do outro. Mais empáticos e resilientes. Que a gente não perca o desejo de transformar as coisas a nossa volta, a nossa ânsia por mudar o mundo imediatamente e a vontade de se expandir, de ser o melhor e maior que pudermos ser.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Surprise bitch


Eu me questiono o tempo todo. Penso muito sobre as pessoas e todas as outras coisas do mundo, mas eventualmente, também penso muito em mim, a ponto de me perder nas próprias trilhas de curvas um tanto quanto excêntricas que dividem as portas, ora abertas, ora irrevogavelmente trancadas que guardam minhas paredes. Passos invisíveis para o abismo das minhas paredes. Minhas paredes vazias, minhas paredes riscadas, minhas paredes de pé num estado caótico demais para ainda não terem desabado, minhas paredes perfeitamente pintadas e devidamente decoradas, minhas paredes impassíveis e impenetráveis, minhas paredes erguidas como uma espécie de abrigo e cuidado, minhas paredes sombrias e intimidantes, minhas paredes leves e alegres... minhas paredes, coloridas, brancas, negras e sem cor. Tantos caminhos existem. E eu penso muito sobre cada um deles. Para ser sincera, por vezes, encarei o ato de pensar como um verbo meio maçante, mas agora realmente acho que minha mente precisa mesmo disso para se organizar e limpar a poeira do passado, tirar a sujeira, para enfileirar tudo isso em prateleiras e etiquetar com clareza de modo que eu possa encontrar, se não eu me perco dentro de mim mesma. E tudo bem se não for assim com todo mundo, porque é tão importante perceber que as pessoas são diferentes e por serem diferentes, reagem de formas diferentes, enfrentam e lidam e sentem tudo de um jeito particularmente seu. Porque os nossos sentimentos, vontades, desejos, batalhas, necessidades, dores, amores e medos, são natural e absolutamente... diferentes. Você só precisa descobrir o modo que completa as figuras do seu álbum, a fórmula certa (e sua) de encaixar as peças do seu quebra cabeça. Sem mais perguntas, sem mais respostas: Eu me achei!

Apenas visitantes mal educados

Nossa evolução pode sim nos fazer grandes, mas ainda assim, não seremos nada. Somos a poeira dos sapatos de um viajante.